sexta-feira, 20 de maio de 2011

Neide Duarte e Sr. Diomar Pimenta

Gosto muito de escrever histórias, perfis. Vou colocar alguns aqui no decorrer dos dias. Pra começar, dois que escrevi e foram publicados no suplemento literário Veredas, da Univale, distribuído em dezembro/2010 . Um é sobre a jornalista da Rede Globo Neide Duarte e o outro é sobre  um técnico, que entende tudo de rádio, Seu Diomar. Ambos receberam de Deus o dom do conhecimento.. Neide Duarte é um exemplo de uma repórter de TV que sabe escrever, porque a maioria se esconde atrás de grandes editores. Pasmem, mas é uma dura verdade. Espero que gostem!

MUITO ALÉM DAS ONDAS DO RÁDIO

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”.

No olhar, um azul que reflete a tranqüilidade de um contador de histórias. Os cabelos ralos quase totalmente brancos denunciam a chegada da terceira idade, mas ainda não revelam os setenta anos já comemorados.  Seu Diomar Pimenta é a prova viva de que as aparências enganam. Qualquer um lhe daria cinquenta e cinco anos no máximo. 
- Estou em extinção. A bíblia não diz isso? Depois dos setenta, a vida de um homem não passa de enfado e cansaço?
À vontade em roupas simples, uma camisa de malha contrastando com a calça social. Nos pés, outro contraste, chinelos da marca Havaianas. Na cabeça, os óculos de aumento, ferramenta essencial para quem trabalha em eletrônica. No peito, se sobressai um boton de papel em favor de um candidato à presidência da república. Assim seria recebido por seu Diomar, ou melhor, Seu Pimenta como gosta de ser chamado, quem fosse à eletrônica dele naquela tarde de quinta-feira, dia 21 de outubro de 2010, a menos de duas semanas para o segundo turno das eleições presidenciais.
De uma sabedoria ímpar, uma conversa com Seu Pimenta pode durar horas a fio e se tornar uma aventura. O encontro com esse mestre da eletrônica foi bacana demais e o leitor vai compreender o porquê quando chegar ao final destas linhas.
- Conheço a história de Governador Valadares. Minha família é pioneira. Por exemplo, a história da vinda da Usiminas para a nossa região. Não é nada verdade, o que falam por aí. Mas, isso fica para outra reportagem, você veio aqui para saber sobre o rádio que é o princípio de tudo. Se o Marconi não tivesse inventado, não teríamos a televisão. (O Marconi citado como se fosse um amigo da família de seu Pimenta é o engenheiro eletrônico, cientista e inventor italiano Guglielmo Marconi. O milagre das ondas sonoras foi feito por ele, no ano de 1904.)
No currículo escolar apenas o primário, no entanto, surpreende com o português praticamente impecável e com a bagagem de conhecimento que carrega. No currículo da vida, mais surpresas nos aguardam nas histórias de Seu Pimenta.
- Cursei a faculdade da vida. Quando se quer fazer algo se faz. O que a gente não pode é acomodar. Nunca ninguém me ensinou a dirigir. Comprei um carro, entrei nele e pronto. Tirei minha carteira de primeira.
O que sabe de eletrônica também aprendeu sozinho quando trabalhou numa fábrica de rádios em Governador Valadares. Isso mesmo, Governador Valadares já teve uma fábrica e Seu Pimenta fez parte dessa história. Na sua coleção, um dos aparelhos da indústria valadarense da marca Harmonia.  A caixa era de madeira e o rádio de ondas curtas. Um selo traz os endereços da fábrica e do escritório: rua da Mica, número 257 e rua Ametista, número 355. Ambas localizadas no bairro São Raimundo.
No início, a fábrica apenas montava os aparelhos com peças trazidas de fora, depois o dono quis alçar vôos mais altos e começou a produzir em Governador Valadares algumas peças, como as caixas de madeira, por exemplo. E queria mais e comprou por R$100 milhões de cruzeiros uma fábrica de bobinas(peça mais importante do rádio) em São Paulo que não valia a metade.
- Produzia 50 rádios por dia, mas queria produzir 150, na época era a produção de uma grande empresa do Brasil. A negociação dessa fábrica paulista que ele pensou ser uma jogada de mestre para a realização deste sonho acabou sendo a decretação da venda da fábrica de rádios em Governador Valadares nos meses seguintes.
A eletrônica Tupi do Seu Pimenta fica bem no centro de Governador Valadares, na rua Israel Pinheiro, 3.694. Tem apenas uma porta de entrada. O letreiro feito de modelo antigo em acrílico foi feito em duas cores: “Eletrônica” em vermelho e “Tupi” em verde.  Nada mais. Não tem um slogan, não tem uma logomarca. Coisas da modernidade não fazem o estilo de Seu Pimenta, a não ser uma bicicleta elétrica que fica na entrada da loja, mas ele justifica a opção na idade. Fica difícil pedalar como antes e precisa manter o ritual de levar o neto para passear nos fins de tarde.  É certo que milhares de valadarenses passam todos os dias por ali e nem notam a existência da eletrônica de Seu Pimenta. Contudo, atrás desta portinha escondem-se raridades E sai apontando os preferidos. Um Standard Eletric de oitenta e oito anos, um outro com formato de globo de 48 anos, um Philips de 65 anos  e  um aparelho alemão de 1940, de metal, usado na segunda guerra mundial que funcionava como transmissor e receptor.
- Quem tinha um desse em casa poderia ser preso caso fosse descoberto! Ah, e tudo funciona! (Mesmo assim, seu Pimenta não mantém nenhum aparelho ligado. Preza pelo silêncio na hora do trabalho. Mas, em casa, gosta sim de ouvir programações variadas de rádio. ) 
Nessa relação mestre-aprendiz abre um parêntese e faz um desenho imaginário na parede. Explica assim a diferença de onda curta e onda média.
- Um rádio de onda curta pega longe até 3 mil quilômetros. A onda média é local chega no máximo a 150 quilômetros.  E a qualidade do som varia de acordo com o clima. Tempo quente é bom para o rádio. Quanto mais quente, melhor. Já a televisão pega bem em dias nublados. (Seu Pimenta estava falando aqui de emissoras repetidoras, como a Rede Bandeirantes)
Só na parte de baixo da loja são quase 400 rádios. No depósito, na parte superior, mais uns mil. São cento e cinquenta metros quadrados de aparelhos empilhados. Relíquias guardadas por seu Pimenta e acumuladas ao longo dos cinqüenta anos de profissão.
- Você olha assim, fica assustada pensando que é tudo velho, pensa que não vale nada, mas tenho rádio que não vendo por menos de 500 reais.
 Poucos foram comprados por ele. Grande parte foi desprezada pelos clientes que nunca voltaram para buscar os aparelhos. Preferiram equipamentos mais modernos.  Não sabiam, mas trocavam ouro por lixo. O eletrônico reconhece as marcas do capitalismo.
- Agora se produz em alta escala, vende e depois joga fora. É tudo tão mal produzido que não adianta consertar. Uma televisão antes era fabricada para durar vinte anos, depois catorze, doze, oito e agora um televisor não chega aos quatro anos. Antigamente um rádio da Motorádio (empresa extinta) de seis faixas custaria hoje um salário mínimo. De nove faixas, dois salários. Hoje em dia, produtos similares a esses produzidos na China ou Taiwan podem ser comprados por vinte reais, sessenta reais.
Um ouvinte atento percebe rápido uma mágoa, um sentimento de frustração quando Seu Pimenta levanta a questão da qualidade dos aparelhos vendidos a preços populares. Pega um dos rádios ao redor dele, balança revoltado e mostra na parte traseira, o selo de fabricação: “Made in China”.  Ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso toda a culpa pela entrada no Brasil dos produtos oriundos da China e do Taiwan.
- O Brasil tinha uma indústria de peças eletrônicas, exportava até para o Japão, mas a política do FHC fechou essa também. Na sua administração dezenas de fábricas foram fechadas.  Ele desmoralizou o nosso país, a nossa profissão.
Elogios não faltam para a produção japonesa de aparelhos eletrônicos. O mercado é exclusivo dos europeus, que segundo seu Pimenta são os únicos que podem comprar. O bom custa caro!
- Tenho uma coleção em miniatura de rádios fabricada no Japão, não vendo por preço nenhum. Quero deixar de herança para os meus netos. Eles precisam saber que no passado tivemos coisas boas, porque do jeito que as coisas andam não sei onde vamos parar.
Animado, muda rapidamente de assunto. Não quer esquecer de contar nada e dispara mais outra história. Narra que “outro dia” um cliente trouxe para consertar um rádio. A estação preferida de Belo Horizonte não estava sintonizando bem. Seu Pimenta constatou que não havia nenhum defeito no aparelho. Mas, o cliente voltou a reclamar. Aí, depois de ouvir a programação da emissora da capital, descobriu que a falha técnica era na empresa. E não se fez de rogado, ligou para os técnicos da empresa e o problema foi resolvido.
Dá graças a Deus de não ter ensinado o ofício para os filhos. Tem quatro e três são advogados. Só um não quis saber de estudar. Durante toda a vida tentou abandonar a eletrônica, mas não conseguiu. Foi dono de uma fábrica de lâmpadas néon, dono de uma loja de variedades, da qual tirou quase tudo que possui, o prédio em que mora e algumas casas de aluguel em Governador Valadares. Também foi assessor do primeiro prefeito de São Geraldo da Piedade, mas nem na cidade vizinha de Governador Valadares conseguiu deixar a profissão.
- As pessoas chegavam e me pediam para consertar o rádio. Eu dizia que não mexia mais com isso, mas não adiantava. Insistiam e eu acabava consertando.
Ele é de um tempo, não muito distante, em que os técnicos eram treinados a trocar peças e em alguns casos até fabricar as mesmas. Os técnicos contemporâneos não são assim. São ensinados a trocar placas. O talento de seu Diomar Pimenta ultrapassou as fronteiras de Governador Valadares e do Brasil. Não é raro chegar às mãos dele aparelhos de rádios vindos da Argentina e até da Suíça. Serviços recomendados por colegas de profissão que reconhecem que seu Pimenta não é só um mero consertador dos componentes do rádio, mas um perito no sistema como um todo.  
 Já se passaram, duas horas de entrevista. Seu Pimenta não quer se despedir e lembra que conheceu os donos das três rádios de Governador Valadares. Faz questão de frisar que acompanhou a montagem das emissoras. Quando jovem participou de um programa de calouros na primeira rádio de Governador Valadares (Rádio Educadora Rio Doce, fundada em 1950) e esta foi a única experiência perto dos microfones radiofônicos. A cidade perdeu um artista, mas ganhou um técnico graduado na universidade da vida.
Não pára de discorrer sobre as mazelas do mundo do rádio. Volta a reclamar dos tucanos, aponta para o boton na camisa: “Dilma é 13”. Defende a candidata do presidente Lula e também a falta de escolaridade do presidente.
- Quando vieram falar pra mim que ele era um analfabeto e não poderia governar o país, eu dava o exemplo de uma pedra preciosa que só precisa ser tirada da lama para brilhar e ter valor. Olha aí! O nosso presidente é hoje reconhecido internacionalmente. Nos Estados Unidos, então nem se fala! Minha prima mora lá. Quando foi matricular sua filha numa escola foi muito bem tratada pela funcionária que lembrou do Lula. Antes, era confundida com argentino. Pode uma coisa dessa?

PS: Depois desta reportagem escrita, Seu Diomar Pimenta pôde comemorar a vitória da candidata do PT Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita para o cargo de presidente do Brasil.

NEIDE DUARTE: A JORNALISTA POETA!

“Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho que tinha esse apelido, pois desde pequenina gostava de usar chapéus e capas desta cor”.

Vem da infância a paixão de Neide Duarte pela leitura. A jornalista ainda guarda na memória a lembrança do primeiro livro. Recordações que revelam um pouco de como nasceu a repórter contadora de histórias dos programas jornalísticos da Rede Globo de Televisão.  Além de um jeito especial de narrar, a riqueza de detalhes e a tranqüilidade em abusar de expressões simples, que em muitas narrativas seriam consideradas coloquiais demais, nos textos de Neide cativam o mais exigente telespectador. Características que evidenciam um aprendizado tirado das páginas dos contos infantis.

“Sábado é dia bacana, dia em que o sonho da casa própria abana suas bandeiras para a gente. Dia de olhar geladeira na loja, escolher uma blusa nova. Dia de cada um pegar sua senha e esperar a fila andar”.

Diante de um computador, numa padaria ou em uma redação barulhenta. Nada é empecilho para a jornalista construir suas reportagens. Também, o que é difícil se torna fácil para quem leva na bagagem anos de leitura aliados a uma vasta experiência adquirida nas viagens profissionais feitas ao longo dos trinta e quatro anos de carreira. 
Neide Duarte escreve seus textos sempre a procura de um caminho diferente independentemente de qual seja a reportagem. O desconhecido não lhe põe medo e quando se quer inovar fatalmente é preciso correr riscos.  Errar faz parte! Por isso, também não teme os erros, acredita que deles pode sair um grande acerto, uma grande ideia. Quer que a mensagem revele algo que à primeira vista não está na imagem e então, esquadrinha a cena filmada até encontrar a palavra que no final vai surpreender o telespectador. E consegue essa proeza como ninguém. A partir daí, constrói um universo literário com maestria. Surge finalmente uma brilhante história.
- Quando estou fazendo uma reportagem busco uma parceria afinada com o repórter cinematográfico. Olhamos juntos para uma mesma direção. Sugiro imagens já pensando no texto. Na redação, sempre quando é possível, revejo o que foi feito pelo meu cinegrafista. Sei que ali pode estar escondida uma imagem preciosa que passou despercebida. Uma cena que pode fazer a diferença na história que está sendo contada.
Um exemplo do cuidado de Neide Duarte com a imagem pode ser observado na cobertura de um espetáculo apresentado para crianças paulistas. Meninos e meninas de Araçuaí no Vale do Jequitinhonha de Minas brilham no palco e na narração da repórter. Neide proporciona para o telespectador a história de dois universos diferentes, de crianças carentes que moram num mesmo Brasil. O que marcou?  Uma frase que impressiona: “Foi assim que Minas abraçou São Paulo!”  A imagem, nem é preciso dizer qual foi.
Olha para o seu recente passado e são poucos os trabalhos que não gostaria de ter realizado, mas tem uma teoria sobre eles.
- O tempo passa, os pensamentos evoluem e o envolvimento com um determinado tema, muitas vezes, passa a ser diferente e aí, fica difícil aprovar um trabalho que já não condiz mais com o que se acredita.
“Caminhos e parcerias”, um documentário, foi sem dúvida, o melhor trabalho. Neide viajou pelo país e descobriu personagens de um Brasil desconhecido. Recebeu onze prêmios nacionais além de  reconhecimento internacional pelo programa apresentado na TV Cultura. A jornalista  teve a  oportunidade de acompanhar a história de um personagem que lhe rendeu duas reportagens. Intituladas “Quase o peso de um passarinho I” e “Quase o peso de um passarinho II”, ambas expuseram o retrato social da desnutrição infantil na cidade de São José da Tapera, mas também mostraram em muitos trechos, o lado humano da repórter.  Nessa profissão é difícil acompanhar a história de um personagem e neste caso, Neide pôde fazer isso. Agora tem um sonho: voltar ao sertão de Alagoas e saber como estão as crianças mostradas naquelas reportagens, principalmente saber do menino Rogério.

“A primeira vez que vi Rogério foi numa foto de família. Oito irmãos no mesmo retrato”.

           “Passamos no posto de saúde e Rogério estava lá: febre, diarréia, um jeito exausto de estar na vida. Naquele dia no posto de saúde, enquanto Rogério esperava ser atendido, no meio daquela multidão de outras crianças também desnutridas, nós demos uma água de coco para ele. E esse sertanejo, nordestino, na terra cheia de coqueiros, bebeu água de coco pela primeira vez”.

“Rogério sorriu muitas vezes. Nós ficamos cheios de esperança. Não podíamos esquecer as palavras da médica: quando ele sorri está salvo”.
“Nesse dia de sol pleno fomos embora do sertão, de São José da Tapera, e essa foi a última vez que eu vi Rogério”.

Aos doze anos, Neide Duarte encontrou um novo amor no mundo da literatura: Fernando Pessoa. Foi aí, que com certeza nasceu a “jornalista poeta”. Só isso explica a voz inconfundível no ritmo cadenciado de uma narração doce, cantada em versos. Mas, Neide acha um exagero o título. Diz que não se vê assim e são as pessoas que enxergam poesia em seu trabalho. Não acha que faz jornalismo literário.
- Jornalismo literário é Truman Capote, com “A Sangue Frio”. Eu sou apenas uma jornalista que se preocupa em fazer um trabalho da melhor forma possível.  A literatura é uma arte e minhas reportagens não são arte. 
 Se Neide não faz jornalismo literário, quem faz?

“A cruz marca o caminho do sertão. A fartura dos coqueiros da estrada, a largueza do rio São Francisco, suas águas, seus peixes, estão aqui apenas pra mostrar beleza, pro nosso olhar de viajante. Nada disso é para dar vida ao povo sertanejo”.

“A multidão é como uma orquestra sem maestro, cada um faz o que quer e o que pode. Gentileza? Não, não costuma passar por aqui”.

“A Avenida Paulista se esparrama pelo chão, e nós estamos aqui, invisíveis no retrato. A favela se equilibra pelos altos. A Catedral se apóia na parede. A cidade está em toda parte”.

Perde a literatura brasileira por Neide não apostar mais na carreira literária. Com veemência diz que não é escritora, mas ri quando questionada sobre os dois livros que escreveu. Neide é autora de “Frutos do Brasil” e “Cinco Crônicas sobre São Paulo”. O primeiro discorre sobre oito histórias reais de uma nova geração de brasileiros mobilizados para mudar o país e o segundo relata a biografia da capital paulista.
Com o passar dos anos veio a faculdade e depois a rotina das redações da vida. Não teve jeito, conheceu outros escritores. Entre eles: Nelson Rodrigues.
- Jornalista que quer escrever bem, precisa ler Nelson Rodrigues!
Lamenta o nível de profissionais que chegam ao mercado nos dias de hoje. Para Neide, os recém-formados precisam de mais capacitação. O conhecimento da língua portuguesa é o básico para quem está saindo de uma universidade e o que se vê é uma realidade bem diferente.
A necessidade de mudanças no fazer jornalístico tanto nos telejornais como no impresso é outra preocupação da jornalista. Lembra que no início precisou impor seu texto diferenciado, não se deixou engessar pelos manuais de redação. Aposta sim na objetividade, mas com conteúdo.
Embora não considere seu trabalho jornalismo literário reconhece que teve bons mestres. Além dos autores que leu, quando chegou à Rede Globo nos anos oitenta trabalhou com vários gênios do impresso. Jornalistas oriundos da Folha de São Paulo e da revista Realidade (revista extinta voltada para grandes reportagens). 
- A Globo contratou os melhores. Repórteres como Lucas Mendes que tem um olhar diferenciado sobre as situações e consegue surpreender sempre.
Neide não sabe, mas é ela quem surpreende sempre! E não só em suas reportagens, mas também nessa entrevista. Uma pessoa simples e brilhante! Que com certeza aprendeu com seu poeta predileto que “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.


Para este perfil de Neide Duarte foram feitos vários contatos via email e depois uma conversa por telefone que durou quarenta e cinco minutos. Mesmo sem gostar de dar entrevistas, Neide foi muita receptiva desde o primeiro contato. A sensibilidade faz parte do caráter dessa profissional rara que se diz brincalhona no seu dia-a-dia.Os trechos de reportagens foram retirados dos sites da TV Cultura e da Rede Globo. Neide Duarte trabalha atualmente na Rede Globo de Televisão, mas já passou pela TV Cultura e na área de impresso começou sua carreira em 1976, na Folha de São Paulo.


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